Abram as portas do vale: Lady Gaga é a cantora da década para a comunidade LGBTQ+

Diante dos inúmeros artistas que deixaram a sua marca na década atual, é quase que unânime o reconhecimento da relevância que a cantora Lady Gaga teve para a comunidade LGBTQ+ nos últimos anos. Em um período em que muitos artistas ainda enfrentavam o receio de demonstrar apoio de forma mais explícita, Gaga bateu de frente com o conservadorismo e abriu espaço para um era em que a celebração à diversidade chegaria ao mainstream.

“Born This Way” e a pauta em apoio a diversidade

“No matter gay, straight or bi
Lesbian, transgendered life
I’m on the right track, baby
I was born to survive “

– Born This Way

Quem não se lembra dos versos mais que memoráveis da música “Born This Way”? Além de fazer uma referência clara à diversidade no campo da sexualidade, essa havia sido a primeira vez em que uma música pop citava pessoas transgênero e celebrava a sua existência. O clipe da faixa foi lançado em 2011 e consagrou a cantora como alguém de extrema importância na luta pela igualdade.

A música se tornou a terceira da Gaga a alcançar o topo da Billboard Hot 100, permanecendo na posição durante 6 semanas consecutivas. Vale ressaltar que vários países do oriente censuraram o trecho que fazia menção ao público LGBTQ+ e grupos religiosos se movimentaram na época para tentar boicotar o álbum.

Protesto pela anulação da lei DADT

Em 2011 Gaga recebia o prêmio de vídeo do ano pelo clipe de “Bad Romance” quando surpreendeu a todos ao utilizar um vestido de carne durante a premiação. Mais tarde a cantora explicou que o intuito era expressar a sua raiva a respeito da política militar anti-LGBTQ+, que com a lei Don’t Ask Don’t Tell” proibia a participação de homossexuais e bissexuais no exército.

A luta em função dessa pauta não terminou por aí. Gaga participou de inúmeros comícios e foi peça chave no movimento de pressão a senadores da época, tendo contribuído para o derrubamento da lei que aconteceu em 2011.

Acordo com a Target e filiação a grupos de caridade LGBTQ+

Em meados de 2012 a mídia trouxe à tona a notícia de que a cantora Lady Gaga havia firmado acordo com a Target para a produção de uma edição exclusiva do seu álbum “Born This Way”. Acontece que parte do trato exigia que a empresa começasse a se afiliar a grupos de apoio à comunidade, como forma de compensar erros do passado (a empresa já havia apoiado grupos tidos como “anti-gay”).
Pelo não cumprimento das exigências, Gaga anunciou o rompimento do acordo meses depois.

Incentivou seus seguidores a participarem das votações e a pressionarem senadores por leis que garantissem a igualdade entre o público LGBTQ+

Foram várias as vezes em que a cantora se pronunciou nas redes sociais e em outros veículos sobre a importância do voto e da participação política. Desde a tão aguardada aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em Nova Iorque até as eleições presidenciáveis dos últimos anos, Gaga se mostrou bastante engajada com a luta pela igualdade de direitos.

Lady Gaga comemorando com a sua equipe a aprovação do casamento LGBTQIA+ em Nova Iorque / 2011

Protestou na Rússia

“Me prendam, Rússia! Estou pouco me f***ndo”. Com essa frase Gaga estampava a capa dos maiores veículos de comunicação após confrontar o governo de um dos países mais LGBTfóbicos do mundo. Acusada de promover um show ilegalmente, a denuncia partiu da mesma pessoa que era responsável pela lei que bania propaganda gay na Rússia, Vitaly Milonov. Vale frisar que Milonov já tinha tentado processar Gaga e Madonna alegando “promoção a sodomia e práticas lésbicas, bissexuais e transgêneros entre menores”.

Protestou contra Donald Trump

Com o resultado das eleições presidenciáveis nos Estados Unidos em 2016, Lady Gaga resolveu demonstrar publicamente a sua insatisfação com a vitória de Donald Trump. A cantora protestou em uma avenida próxima à Trump Tower segurando uma placa que dizia: “Love trumps hate” (“o amor supera o ódio”),

Lady Gaga (Foto: AFP)
“Love trumps hate.” // “O amor supera o ódio.”

Apoiou jovens LGBTQ+ desabrigados no Ali Forney Center

Em 2016 a cantora fez uma visita à juventude LGBTQ+ desabrigada no Ali Forney Center em Nova Iorque. Durante o encontro, Gaga trouxe presentes e realizou atividades lúdicas com o grupo e publicou em suas redes sociais uma mensagem de apoio à instituição. Vale lembrar que essa não foi a primeira vez que ela usou de sua influência para apoiar o abrigo, já que durante a Monster Ball Gaga se juntou com a Virgin Mobile para recrutar voluntários.

Performou “Born This Way” no Super Bowl

Diante de um público majoritariamente conservador, Gaga performou os seus maiores hinos em um dos maiores eventos esportivos dos Estados Unidos: o Super Bowl. Como se não bastasse a mensagem sutil em sua apresentação, a cantora fez questão de cantar o refrão de “Born this Way” para um dos políticos mais proeminentemente anti-igualdade da nação.

É inegável a contribuição que Lady Gaga trouxe para a comunidade LGBTQ+ e por isso ela deve sim ser considerada uma das artistas mais relevantes da década. O seu trabalho ajudou a pautar inúmeras discussões referentes ao tema, levantando uma bandeira que cantoras como Madonna já demonstravam apoio na década de 90.

Gaga iniciou a década de 2010 levando o tema da diversidade ao mainstream da música pop, o que consequentemente abriu espaço para que outras cantoras falassem a respeito de forma mais aberta em suas canções.

Sobre o autor: /

Jornalista formado pela UESB, swiftie desde a era Red e apaixonado pelos filmes do Tim Burton. Instagram: @porsantiagoneto 📷