PFBR Investiga – Entenda toda a história de abusos e omissão entre Dr. Luke e Kesha

Kesha e Dr. Luke estão presos numa longa batalha judicial desde meados de 2014.

Ela acusando ele de tê-la estuprado, drogado e abusado física e psicologicamente por uma década, e ele alegando que ela está mentindo e só quer mais quinze minutos de fama. O caso já tem rodado as manchetes por algum tempo, ainda mais porque todos os hits de Kesha foram compostos por ela em parceria com Luke, o que inclui títulos como TiK ToK e We R Who We R, e o produtor é bastante requisitado no meio artístico, mas um novo movimento, #FreeKesha, vem ganhando uma força absurda e até apoio de celebridades feministas, o que levou a novas especulações sobre o caso.

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Kesha chorando no tribunal (19) ao saber que ainda não está livre do contrato com Luke.

E, segundo novos documentos vazados afirmam, todo o abuso começou lá em 2005.

Entenda:

Supostamente, Kesha enviou uma demo – sua primeira – a Dr. Luke e seu parceiro, que também parece estar envolvido no caso, Max Martin, e os dois ligaram para sua casa em Nashville da Suécia, onde estavam trabalhando juntos, e marcaram um encontro com ela. Na época, Luke compunha e gravava o álbum de estreia da socialite Paris Hilton, Paris.

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Capa de “Paris”, primeiro álbum de estúdio de Paris Hilton produzido por Dr. Luke (2005)

Curiosamente, para quem não sabe, naquele mesmo ano a família de Kesha era atração no programa The Simple Life, que mostrava a ricassa pagando de “pobre” com famílias da classe média para baixa ao lado da então amiga Nicole Richie, e os contatos em comum contribuíram para que Kesha e Luke se conhecessem.

Neste ponto, Luke percebeu a mina de ouro que tinha em mãos, não perdeu tempo e assinou a jovem.

O primeiro estupro, ainda segundo os documentos distribuídos, aconteceu na festa de aniversário de Paris, que tinha Luke e sua então pupila Kesha, 18, como convidados. Este foi o primeiro de ainda supostos muitos episódios em que a cantora acordou nua, grogue, sem saber o que tinha acontecido e muitas vezes ferida em camas que não eram dela.

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Print dos documentos obtidos pelo TMZ

Tentando descolar uma carreira e ainda muito anônima, Kesha permaneceu calada e fez tudo como foi mandado. Ela emprestou seus vocais ao single Nothing In This World, da Paris, e contribuiu em inúmeras composições de outros artistas famosos, mas nunca obteve espaço para brilhar por conta própria nas mãos do produtor.

O cansaço não é de hoje:

Pouco mais de um ano depois de assinar com ele, Kesha quis sair.

Com Luke ocupado com projetos próprios, e nunca tratando ela a sério, Sebert assinou um contrato com a agência de compositores DAS, que na época tinha entre seus contratados Katy Perry e os gêmeos do Nervo – que produziriam em seguida a faixa Boots & Boys, do seu álbum Animal (2010) – e onde ela ficou, sem se comunicar com Luke, de dezembro de 2005 até o fim de 2008.

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Kesha e Katy Perry antes da fama

Neste meio-tempo, Kesha sempre tentou se livrar do contrato abusivo com o atual ex-produtor, mas as tentativas foram todas falhas (provas aqui).

Ouvindo algo de especial na cantora, Kara DioGuardi (compositora que já descobriu talentos em Jason Derulo e Iyaz) tentou contratar Kesha pela Warner, e foi quando Luke re-entrou na cena e interviu, alegando que isso era impossível já que, contratualmente, a moça ainda “pertencia” a ele e à sua Kemosabe Records, subsidiária da Sony.

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Documentos obtidos pelo TMZ comprovam envolvimento de Kesha com o grupo DAS

Sem muita escolha, os documentos afirmam que Kesha precisou continuar com Luke, mesmo contra sua vontade, e daí veio sua aparição no clipe de I Kissed a Girl, da então superstar em ascensão Katy, que era sua amiga e também tinha envolvimento com o produtor.

Em 2010, no auge de seu estrelado com o disco Teenage Dream, Katy também costumava tuitar mensagens bastante suspeitas sobre o relacionamento de Luke com suas artistas do sexo feminino:

“‘Esses vocais fazem meu p*u ficar duro!'” – A performer parafraseou Luke no Twitter.

Ao mesmo tempo, Kesha foi confinada em estúdio para escrever Right Round, um dos maiores hits do rapper Flo Rida, que Luke produziu mas, por algum motivo “desconhecido”, omitiu a participação de sua pupila e tomou todo o dinheiro arrecadado com a música, que liderou as paradas de sucesso do mundo inteiro, para si.

Mesmo claramente aparecendo nos vocais da faixa, Kesha não foi creditada:

A história que circulou foi que Kesha não queria que seu primeiro hit fosse na verdade de outra pessoa.

Cedo ou tarde, ela acabou levando crédito por Right Round e chamou a atenção necessária, o que alavancou sua carreira no mundo do entretenimento. Mas, infelizmente, apesar de provarem que ela não foi uma sensação que aconteceu da noite para o dia, os documentos não detalham o que houve em seguida, quando Kesha estourou por si própria com TiK ToK e conseguiu se consolidar no mercado musical.

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Kesha e Luke ainda parecendo bastante amigáveis durante premiação

Devido ao investimento feito pela Sony, por intermediação de Luke, em Kesha, e a cláusula contratual em que ela promete ao menos mais  seis discos lançados pelo selo, a hitmaker acabou se metendo numa enrascada que, apesar de parecer não ter saída, já veio a público e está sendo desmistificada pelos militantes de plantão.

Ela aguarda os próximos passos do processo para saber o destino de sua carreira, e se poderá compor e atuar na arte pela primeira vez em sua vida livremente e sem o peso da mão de Luke guiando-a na escolha de singles e músicas que entrarão nos discos, e o que nos resta, assim como ela, é esperar.

Ao menos antes o que parecia ser um quebra-cabeça ultra confuso, agora é claro como cristal.

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