Mudança de estilo: um ponto estratégico comercial ou um aprendizado em prol do amadurecimento como artista?

O que faz um artista Pop cantar Jazz? ou Folk? Ou qualquer gênero musical que não seja o dele?

Por que apostar em algo novo? O difícil caminho de mudança no estilo musical é cada vez mais frequente no meio artístico. No entanto, todo esse processo exige dedicação e bastante experiência de quem pretende faze-lo. Por conta do intenso vai-e-vem por cidades, o relacionamento com pessoas e diversos ritmos, muitas vezes os artistas acabam explorando outros territórios musicais, alguns bem distintos do que estamos acostumados a ouvir (e eles a dominar), e que acabam fortemente influenciados e tentados por outros estilos.

Acredito que muitas pessoas interpretarão esse texto como algo direcionado a Lady Gaga, porém o texto não trata-se apenas da Gaga, e sim de todos os outros artistas que veem surpreendo a cada material lançado. Mas, vamos começar falando dela.

Em 2014, Lady Gaga anunciou que estava trabalhando em um álbum de jazz ao lado de Tony Bennett, de início as pessoas levaram na brincadeira e não acreditavam que seria possível “Lady Gaga estar cantando Jazz“, o ano se passou e esse mesmo álbum, “Cheek To Cheek“, rendeu para a pop star um Grammy de “Melhor Álbum Tradicional Pop Vocal“.

Outro nome que também podemos citar é Pink, com seu projeto paralelo,”You+Me“, o duo, formado em parceria com Dallas Green do City And Colour que lançou em Outubro do ano passado o álbum “You+Me“.

Obviamente, essa transição entre meios tão distintos causou uma grande queda no ranking para a cantora: a fama da artista ficou um pouco “prejudicada” em relação aos charts, mas não porque o trabalho é ruim, e sim porque o gênero não agrada as grandes massas de público (o que não precisamos falar de trabalhos anteriores dela). Para o artista, o único problema é enfrentar a necessidade de se adaptar e conhecer as referências daquele ritmo.

Em menor escala (e o que mais acontece), são cantores apostarem em um novo gênero para suas músicas. O caso mais recente que podemos citar é Nicki Minaj com o “The Pinkprint” e Rihanna, com “FourFiveSeconds” que trás a presença de Kanye West e Paul McCartney. A experiência adquirida é importante quando se está propenso a encarar novos desafios musicais, porém fica a necessidade de atender as expectativas e necessidades do público.

Há quem acredite que essa mudança drástica de estilo seja importante para o amadurecimento musical natural, outros acreditam que o método mais fácil de ser autêntico é inovar a cada trabalho. A verdade é que vai além desses dois motivos, existe outro fator que causa o grande remanejamento de artistas de gêneros mais concorridos – como Pop e R&B, por exemplo – para outros de pouca expressividade global, como o Jazz, Folk, Country: as ambições pelos recordes.

Evidentemente, em rankings menos concorridos como estes, a facilidade de conseguir novos recordes e prêmios atrai cada vez mais artistas, uma vez que, sendo a concorrência menor, se torna mais fácil conquistar o lugar mais alto na lista dos melhores. A exploração de novos gêneros é uma tendência. A ambição de cada artista em busca do reconhecimento mundial move montanhas, ou mesmo interesses musicais, e eles acabam se arriscando por ambientes pouco conhecidos.

Engana-se quem pensa que só artistas consolidados usam este tipo de estratégia. Você já percebeu que surgem mais cantores indies e com estilos que você nem sabia que existia do que futuras estrelas do Pop? Talvez seja porque o mercado da música Pop esteja saturado? E é justamente por isso que novos gêneros estão sendo explorados?

 

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