[GLOBALiZATION] – O pós-reggae da colombiana Kali Uchis, que começa a bombar na gringa com o EP 'Por Vida'

Quem disse que a América Latina não é berço de grandiosos artistas?

Cantores dos pontos mais periféricos ou até no Brasil conseguem bastante destaque internacional na gringa, principalmente no ambiente alternativo, que é um dos mercados mais promissores e inteligentes de entrada e pode transformar um artista e seu estilo, em pouco tempo, em algo tipicamente mainstream. Todo o ano, milhares de nomes surgem na mídia sendo apontados como promessas para os próximos meses e surpresas são almejadas e acompanhas.

Poucos são os que realmente trazem à tona algo diferente do massivo mercado, que mesma sendo focado em algo podemos dizer “diferente”, nos infere muitas vezes a uma barreira de sons praticamente parecidos que não tratam de constraste. Felizmente, isso muda de tempos em tempos, quando somos agraciados através de sites como Pitchfork e Noisey, com figuras que trazem uma sonoridade exótica a princípio mas que pode ser fielmente o que deverá tocar nas estações dos Estados Unidos, Reino Unido ou do planeta em alguns anos.

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E em 2015, podemos iniciar com o pé-direito falando de um dos nomes que está começando a ganhar destaque na gringa: Kali Uchis.

A colombiana, naturalizada nos Estados Unidos, tem um estilo único de junção de música, trabalhando em um pós-reggae, ou seja, o estilo com uma pitada mais amena e mais retrô, batidas eletrônicas e pop, com reflexos característicos, por exemplo, dos anos 60 e 90. Como de costume, sua visibilidade começou a chamar atenção quando seus vídeos e sua música começaram a reverberar nos mais diferentes sites e blogs de entretenimento, além de fazer barulho pelo estilo cute girl, misturado com a tendência bubblegum bass, que explodiu em 2014 e se tornou uma febre nos videoclipes de artistas famosas. O que diferencia Kali de outras cantoras é que mesmo com esse estilo mais clean, com cores amenas e um contexto menos feroz, ela consegue cativar pela suas canções, que são muito bem produzidas. Recentemente ela lançou o EP Por Vida, que estreou exclusivamente no site Pitchfork.

O material teve produção de ninguém menos que Tyler, The Creator, Kaytranada e BADBADNOTGOOD que deram ao registro uma pitada de swag e nigga no arranjo e na costura das faixas. No material, Kali Uchis consegue ser vulnerável e passar o conceito de menina old school periférica, sem se perder no contexto, parecer piegas, ou ser clichê. Ela não é só mais uma menininha extranjeira que tenta a sorte em terras estranhas fazendo algo que desconhece. Uchis domina e bem suas canções, além de ter um domínio estranhamente brilhante em cada faixa e cada sample anexado a sua voz bastante crua, densa e profunda. Cada canção do CD parece ter sua própria identidade, sua própria vida, e mesmo assim, sem se assumir distantes uma da outra. Kali Uchis, que claramente se inspira em filmes vintages e também longas de Quentin Tarantino para a composição de seus audiovisuais, parece estar certa do que está fazendo, e está.

O pós-reggae não é um estilo novo, até porque, não é muito consumido nas bordas do mainstream. Porém, com cada vez mais artistas, certos, se influenciando e trazendo sonoridades distintas, isso poderá ficar em breve muito mais comum não só para as pessoas consumidoras de canções desse foco, mas para o pop que de tempos em tempos se renova e se muta com outros estilos, trazendo uma mescla de sensações que já podem ser percebidas com a garota promessa. Apaixonada por artes de vinil, a intérprete de “Know What I Want” intercala toda a sua inspiração do que é icônico, no visual, no poder de juntar o vídeo e o áudio de uma forma agoniantemente perfeita.

Ela não gosta de seguir tendências. Kali Uchis promete ser a tendência.

Falando recentemente sobre seu processo em estúdio, ela disse que é bastante simples, tudo que produz, compõe e faz soa de uma forma incrivelmente natural e não gosta de se pressionar a fazer algo que venha se parecido com os que as pessoas estão ouvindo por aí. O tipo de profissionais prediletos, segundo ela, são pessoas espontâneas que façam o que realmente se é proposto a fazer, algo cru, em um estúdio, sem todos os efeitos, e muitas pessoas auxiliando cada passo plástico em uma canção tipicamente comercial e não sentida pelas sinestesias que vão absorver cada palavra anexada com os tons e toques.

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