Rihanna lançava há exatamente um ano o "ANTI", seu oitavo e mais verdadeiro álbum de estúdio

Com seu último álbum de estúdio, Rihanna elevou o perfeccionismo a um outro nível, e fez bem. Passamos cerca de três anos em abstinência por um disco inédito da cantora, no período de 2012 e o lançamento do álbum “Unapologetic”, até o começo de 2016, quando finalmente tudo foi revelado, de uma vez. Antes da chegada de “ANTI”, o oitavo disco da cantora, muita coisa aconteceu, inclusive vários e vários problemas relacionados a seus singles e ainda a promoção patrocinada da Samsung – que acabou rendendo o famigerado #antiDiaRy. Após parcerias bem-sucedidas como a com Eminem“The Monster” – o público clamava por um registro inédito da barbadiana, já que acostumados com o lançamento de um CD dela por ano – até 2012 – acabavam não se preocupando com o período em que Rihanna passava em estúdio. Desde 2009 até 2012 foram quatro álbuns lançados de maneira consecutiva, ano a ano. Mas depois do “Unapologetic” Rihanna queria experimentar, mostrar que pode mais e que além de ser a dona das paradas e a artista feminina mais importante da era digital, pode sim montar trabalhos extremamente refinados, bem construídos e que não são apenas um amontoado de canções com produtores de renome, que passam algumas semanas no topo e depois somem.

No começo de 2015, logo em janeiro, ela lançava “FourFiveSeconds”, música em parceria com Kanye West e o lendário ex-Beatle Paul McCartney. Aí já veio o choque dos fãs. A cantora estava visivelmente em outra. A música com uma estética simples e muito mais folk, acabou não vingando ou sendo feroz como os outros grandes hits que orbitavam em sua carreira ao longo de todos esses anos, mas funcionou como uma espécie de alarme para o que estaria por vir, muito, muito em breve. Em 2015 tivemos ainda a faixa “American Oxygen”, lançada como promocional e com um tom patriota mais cru, um clipe que mostrava a força dos Estados Unidos em meio a guerra, problemas e também momentos de forte impacto. Era a construção oficial de uma era inédita na trajetória de Rihanna. Uma era que iria além dos hits e faria com que ela colocasse seus pés no chão, sentindo as tensões e interpretando através de sua música. “Bitch Better Have My Money” fechou este ciclo oficial pré-ANTI, já que apesar de várias canções lançadas – como para a trilha sonora do filme ‘Home’ na época – elas não mostravam para que vieram como essas três que marcaram oficialmente a entrada de todo o legado da intérprete em uma nova forma artística de pensamento e comportamento. A agressiva canção foi apresentada no iHeartRadio Music Awards, um helicóptero e um look totalmente verde, muita opulência e Versace.

Diferente da apresentação de “FourFiveSeconds” no Grammy Awards, Rihanna mostrou que apesar de suas mudanças seu lado “bad bitch/festeira” sempre estaria ali. A santa tríade pré-ANTI nos ensinou que algo pesado e com um conceito livre e totalmente desapegado estava próximo. A preparação. Assim como a própria Rihanna, os fãs tiveram que amadurecer, passar por uma metamorfose para a apreciação do seu novo som, com apego em suas origens, mas sem deixar de ser, Rihanna, a garota de Barbados que conquistou o mundo com suas faixas dançantes, amorosas, trevosas e na grande (grande mesmo) maioria das vezes, um sucesso. A Samsung entra na jogada e investe 20 milhões de dólares na divulgação do disco. O álbum deveria sair em 2015 e muitos arriscam que até 2014, porém, há muitas teorias que pretendiam explicar o motivo dos fãs terem esperado até janeiro de 2016 para ter o oitavo registro dela em mãos. A hipótese mais provável foi as modificações no material, que não foram poucas. Ela acabou cancelando sua performance no “Victoria’s Secret Fashion Show” em novembro de 2015 para finalizá-lo. Muitas pessoas eram cotadas para colaborar – incluindo artistas como J. Cole e Azealia Banks – mas suas participações acabaram não entrando no corte final. A outra e mais comentada era o relativo “fracasso” das canções lançadas em 2015, a tríade, “FourFiveSeconds”, “American Oxygen” e “Bitch Better Have My Money”, que acabaram também não estando na setlist final.

Desde a revelação dos quartos do #antiDiaRy até o lançamento do disco, momentos de tensão se instauravam na mídia e dentre os admiradores. O público precisava ter uma paciência que já não possuía mais. Já tinham se passado três anos desde o último CD e três canções lançadas, mas nada do projeto. O jeito foi esperar, e assim aconteceu.

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Rihanna em uma das cenas do #antiDiaRy. Foto: YouTube

 

Uma semana antes da chegada do “ANTI” no TIDAL, a primeira plataforma que recebeu o disco de forma exclusiva, os rumores já circulavam na internet. Agora vai. “Work” – o primeiro single oficial – foi anunciado por Rihanna antes do álbum. Os fãs de todo o mundo respiravam aliviados, porque na faixa ela estava muito bem acompanhada: Drake. O rapper canadense que seria em 2016 um dos artistas mais bem-sucedidos, já tinha colaborado com a cantora em canções como “What’s My Name” do álbum “LOUD” (2010) e “Take Care”, faixa-título do seu disco de 2011. A música a princípio não envolveu muito os fãs por sua letra preguiçosa, mas aos poucos, o dancehall contagiou as pistas de dança e a canção – em nenhuma novidade – passou 9 semanas no topo da parada norte-americana, a Hot100, sendo consequentemente uma das mais bem-sucedidas do ano.

O álbum acabou chegando horas depois, por um erro do próprio TIDAL que disponibilizou acidentalmente em sua plataforma. Aí foi inevitável. No dia 27 de janeiro todos no planeta já tinham o registro em seus computadores. Mas isso não foi nada ruim. A parceria com a Samsung – e os 20 milhões de dólares – fizeram com que o disco pudesse ser baixado no serviço de streaming – de graça – até que atingisse 1 milhão de cópias baixadas legalmente – número esse comprado pela empresa de tecnologia para divulgação. Foi o álbum mais rápido a conquistar o certificado do RIAA, Platina, 1 milhão de cópias instantâneas. Em nada esta estratégia da Samsung e a gravadora de Rihanna atrapalharam a repercussão e desempenho do álbum. Após ser lançado no iTunes e nas diversas outras plataformas como o Spotify, foi sucesso absoluto: “ANTI” estreou no Top 30 da Billboard 200 com a polêmica da não contabilização das cópias compradas pela Samsung, mas chegou ao topo posteriormente e lá ficou.

O álbum passou meses no Top 10 da parada, sendo um sucesso não só em vendas, mas também na parte digital. Mundialmente, já chega a quase 2 milhões de unidades e foi o segundo #1 de Rihanna na parada norte-americana depois do “Unapologetic”.

Capa do álbum “ANTI”, criada pelo artista israelense Roy Nachum. Rihanna é representada como uma criança, com escritas em braile e uma coroa que filtra a verdade através das sensações.

 

“ANTI” veio com muitas surpresas. Rihanna seguiu uma estética mais moderna, Urban, R&B, mas firme em suas raízes. Um cover da banda alternativa Tame Impala para a faixa “Same Ol’ Mistakes” – uma releitura de “New Person, Same Old Mistakes” do grupo – foi um dos destaques. Além de Drake, a cantora SZA interpretava com a musicista a faixa “Consideration”, uma canção feminista forte e bastante interessante. Kevin Parker – Tame Impala – o produtor Hit-Boy, Frank Dukes, Brian Kennedy, Timbaland, Teddy Sinclair (Natalia Kills) e Travis $cott também estiveram colaborando para o registro que ainda tinha surpresas. “A Night” – que foi lançada em 2015 para um comercial da cantora para a Dior – acabou entrando na versão Deluxe do álbum como “Goodnight Gotham” com samples “Only For A Night” do Florence + The Machine, além de “Higher” conter elementos de “Beside You”, do The Soulful Strings e “Never Ending” apresentar interpolações de “Thank You” da Dido. A profunda “Close To You”, a frenética “Woo” e a misteriosa “Desperado” também nos fizeram ter um turbilhão de sensações a cada audição.

Além de “Work”, canções como “Kiss It Better” e “Needed Me” também foram singles. Apesar do desempenho morno da primeira, “Needed Me” acabou levando o legado de “Work” após a faixa esfriar nas paradas. Produzida pelo DJ Mustard, começou a ganhar destaque dentre as mais ouvidas e baixadas não só nos EUA, mas no mundo todo assim quando o álbum chegou na internet, e isso consequentemente chamou a atenção de Rihanna, que produziu um clipe que exalta o seu poder feminino em meio ao mundo gangsta de Miami. A fotografia impecável. E a música se consagrou como mais um sucesso: Top 10 na Hot 100 e um das canções mais lembradas de 2016 no cenário Urban. Agora, “Love On The Brain”, uma das faixas mais elogiadas do álbum por ser a mais limpa dele, com os vocais da cantora impecáveis, caminha para tornar-se mais um hit. Recentemente entrou no Top 20 da Hot 100 e está estável no iTunes dos Estados Unidos. Apesar da cantora anunciá-la como single há alguns meses, nenhum tipo de promoção além de sua performance no Billboard Music Awards 2016 aconteceu.

Para a promoção do registro tivemos a ANTI World Tour, que foi anunciada um pouco antes do lançamento do disco e iniciou-se no dia 12 março indo até 27 de novembro do ano passado, com 75 datas no total, incluindo festivais e performances especiais. Mesmo não vindo ao Brasil, a série de apresentações foi um sucesso: cerca de 1-2 milhões de apurados por noite em uma média de 100 milhões de dólares.

Ensaio promocional da turnê ANTI/Rihanna se apresentando em Nova York com a série de apresentações. Foto: Reprodução/Internet.

Um álbum que valeu cada segundo na sua espera. Muito bem costurado e nenhuma música peca pelo seu excesso. Rihanna soube polir bem o oitavo registro de sua carreira em uma série de manobras arriscadas, mas que no final nos deu um conteúdo altamente refinado. Uma nova/velha Rihanna, não mais presa em seus hits, libertando e explorando ainda mais o seu grande talento como musicista.

“ANTI” é uma obra-prima da nova década feita por uma das artistas mais importantes do século XXI. E que seja assim como muito mais de seus discos!

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