"reputation" e "Lover": como os contrastes de Taylor Swift vão muito além das cores

Com a divulgação de novas informações a respeito do sétimo álbum de Taylor Swift, intitulado “Lover, pudemos ter acesso a boa parte do conceito que envolve o disco.

A cada passo que dá, a cantora parece estar se distanciando cada vez mais do universo que criou com “reputation“, marcado pela reinvenção da intérprete após um período de diversas polêmicas e controvérsias.

Seguindo essa tendência, era de se esperar que Swift trouxesse uma identidade visual muito diferente para seu novo material. No entanto, o contraste entre a identidade visual dos dois álbuns, por exemplo, vai muito além da escolha de imagens coloridas ao invés de fotos em preto e branco.

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Na era “reputation“, Taylor escolheu os conceituados fotógrafos Mert e Marcus para a concepção da capa do disco. A dupla é extremamente consagrada, visto que seus trabalhos já apareceram em revistas como W Magazine, Vogue US, Vanity Fair, Vogue Paris, Interview e Vogue UK. Além disso, ambos já fotografaram para marcas como Gucci, Givenchy, L’Oreal Paris, Yves Saint Laurent e Lancôme, com obras que consolidaram a carreira dos parceiros.

Com a divulgação da foto que apresentou o sexto álbum de Swift ao mundo, pudemos vê-la com um visual bastante diferente dos trabalhos anteriores. Além de se tratar de uma imagem em preto e branco, a intérprete aparece com um suéter cinza rasgado e uma gargantilha, indicando que as faixas não orbitariam ao redor de histórias de amor com finais felizes.

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No entanto, também há outros aspectos a serem levados em consideração:

  • As fontes utilizadas na capa simulam manchetes de jornais e indicam apenas duas coisas: o nome do álbum e da cantora. Sendo assim, foi possível constatar que a mensagem estava mais clara do que nunca, sem espaço para diferentes interpretações. Com “reputation“, o trabalho de Taylor incorporaria tudo o que a mídia já havia dito sobre ela no passado, de maneira fria e calculada, a fim de utilizar todas as críticas envolvendo o nome da intérprete para contar toda a história de um ponto de vista que é só dela;
  • Engana-se, porém, quem pensa que a mudança radical de estética afastou Swift de suas origens. Embora tivesse declarado, em “Look What You Made Me Do“, que a antiga Taylor havia morrido, ainda estávamos diante de um trabalho inerente à realidade dela. Assim como nos discos anteriores, a cantora estava apenas abordando acontecimentos de sua vida através de suas composições, melodias e visuais;
  • Por fim, o uso de uma foto em preto e branco, aliado à escolha estratégica de luz e sombra, estabelece que Taylor reconhece seus altos e baixos, contrariando a parcela do público que enxerga nela a garota que sempre se torna a vítima das situações nas quais está envolvida. Com o lançamento do lead single, ela admitiu a chegada de seu karma; todavia, a capa do “reputation” já havia construído esse conceito ao apresentá-la sem elementos visuais que compõem a imagem da cantora conhecida pelo público geral, como o batom vermelho.

A capa de “Lover“, por sua vez, é diferente por razões que vão além do óbvio, mas é a partir dele que começaremos a discorrer sobre a nova era de Swift.

De forma simplificada, a imagem que ilustra o sétimo álbum da intérprete a coloca no centro, logo abaixo do nome do disco. A roupa de Taylor possui tons pastéis semelhantes aos efeitos que a envolvem, criando uma atmosfera calma e romântica que se conecta perfeitamente com todo o restante do material da nova era. O coração desenhado ao redor de um dos olhos da cantora se assemelha à textura utilizada na fonte de “Lover“, acentuando o brilho do novo trabalho e a visão dela sobre tudo que está ao seu redor.

A essa altura, boa parte do que ainda irá ser dito aqui já foi captado por uma parcela dos leitores. Porém, vale lembrar que uma imagem não é somente aquilo que chamamos de “produto final”, mas sim o processo que resultou no que é apresentado ao público.

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Sendo assim, é de fundamental importância ressaltar que a capa do álbum e as imagens carregadas de tons pastéis foram criadas por uma mesma pessoa. Valheria Rocha é uma artista colombiana de 24 anos que se tornou conhecida por conta de suas colagens vibrantes e únicas, além de já ter trabalhado com a Teen Vogue e empresas do setor de vestuário, como a Free People e a Urban Outfitters.

Boa parte do que a nova era de Taylor representa pode ser destacada aqui mesmo, já que a escolha da fotógrafa demonstra o empenho em enaltecer o trabalho de mulheres talentosas ao redor do mundo, que não costumam ver suas obras sendo reconhecidas de forma tão grandiosa quanto os homens.

Com pouco mais de 33 mil seguidores no Instagram, por exemplo, Valheria está distante de todo o prestígio alcançado pela dupla Mert e Marcus. Contudo, o fato de ela ainda não figurar ao lado de diversos fotógrafos considerados renomados e, mesmo assim, ter recebido a oportunidade de colaborar com uma artista de extrema popularidade no cenário musical é, no mínimo, incrível!

As visões de Rocha e Swift se fundiram para criar peças que transmitem toda a atmosfera sonhadora e libertadora de “Lover“, experiência carregada de significado para a jovem fotógrafa:

“Meu avô costumava pintar borboletas em seu estúdio na Colômbia antes mesmo de eu poder andar. Agora, posso dizer que fotografei a Taylor sendo a borboleta mais mágica de todas.”

Se expandido, o conceito de liberdade contido na nova era também indica novos caminhos a serem trilhados por Taylor. Representada pelas amplas referências a borboletas, tal característica indica o crescimento interior e a transformação da cantora, que abandonou aspectos marcantes do “reputation“, pautado naquilo que estava sendo dito sobre ela pelo público geral, para renascer com “Lover“, por meio do qual está apostando no poder que a sua voz possui para impactar a sociedade de forma positiva.

http://5jc.0a9.myftpupload.com/taylor-swift-revela-existencia-de-nuances-politicas-em-seu-novo-album/

Conforme já dito por ela, o novo álbum está recheado de nuances políticas, decisão que supre as expectativas daqueles que gostariam que Swift se posicionasse de forma mais clara no que diz respeito à realidade norte-americana, por exemplo. Por meio das novas canções, a intérprete está buscando o encorajamento contínuo dos jovens e exigindo que a sociedade demonstre apoio aos direitos humanos.

Sendo assim, todo o colorido presente na capa acaba escorrendo, também, para o interior do disco. Até o momento, os singles “ME!” e “You Need To Calm Down” trazem menções explícitas ao arco-íris e sua relação com a diversidade sexual e de gênero. Com essa abordagem, Taylor elimina todas as dúvidas que o público poderia ter sobre o apoio prestado por ela à comunidade LGBTQ+, que também pode ser confirmado aqui e aqui.

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Para concluir a análise, é preciso destacar a forma como Swift está apresentando sua visão de mundo ao público, condensada já no título álbum. Durante o livestream em que anunciou diversas informações sobre o lançamento, a cantora revelou que o tom de “Lover” é muito romântico:

“Não se trata somente do tema, como se todas as canções fossem sobre amor ou algo assim. A ideia de algo ser romântico não significa que se trata de uma música feliz. Você pode encontrar romantismo na solidão ou na tristeza, enquanto vivencia o que acontece em sua vida. É sobre olhar para essas coisas de um ponto de vista romântico.”

É claro que, com esse comparativo, não estamos buscando apontar uma obra como a vilã e a outra como a única digna de respeito. Na verdade, todo o trabalho autobiográfico de Taylor Swift permanece relevante na indústria exatamente por demonstrar o crescimento ao qual todos nos submetemos ao longo da vida.

Portanto, “reputation” não sugere que a intérprete era uma má pessoa e o novo material não representa uma tentativa apelativa de recuperação. Assim como todos os outros seres humanos, a cantora aprende a viver por meio da prática. Como dito por ela em “Shake It Off“, lead single do álbum “1989“, “I make the moves up as I go” (“eu invento os passos conforme danço“, em tradução livre).

Quais as suas impressões sobre a nova aposta de Taylor com “Lover“?

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