Ratinho é acionado pela Defensoria Pública de São Paulo por falas de cunho homofóbico

Na último quarta feira (03/01/2018) o apresentador de TV Ratinho usou seu perfil oficial no Instagram para publicar um vídeo direcionado a Rede Globo, criticando-a por colocar “muito viado” em sua programação. “É muito viado: é viado às seis da tarde, é viado às oito da noite, é viado às nove da noite, é viado às dez da noite, é muito viado”, disse ele.

Logo após sua publicação, o vídeo gerou polêmica e foi recebido negativamente pelos internautas. Muitos deles o acusavam de homofobia e, ao que tudo indica, as palavras do apresentador serão julgadas e podem lhe render multa.

No dia seguinte, quinta-feira (04/01/2018), a Defensoria Pública do Estado de São Paulo apresentou uma representação contra Ratinho. A mesma afirma que o apresentador usou de pejorativos em suas falas sobre homossexuais no Instagram. O órgão pede que a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo aplique multa por discriminação homofóbica. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, Ratinho pode ser multado em até 3.000 Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), este valor ainda poderá ser aumentado em até dez vezes. No momento, cada Ufesp equivale à  25,70 reais, 3.000 resultariam em 77.100 reais.

https://www.instagram.com/p/BdgkBViB7IX/?taken-by=oratinho

Ratinho afirma que foi apenas “uma brincadeira”, e que não quis ofender nenhum gay, “até porque” trabalha com todos e, segundo o mesmo, todos gostam dele. O defensor público que fez a representação, Rodrigo Leal da Silva, afirmou entrevista para o Folha de São Paulo que o pedido de desculpas feito após a publicação não muda a situação do apresentador. “O fato de ele ter se retratado não exclui o caráter homofóbico da fala”. Por meio de um comunicado à imprensa, ele ainda explicou que a fala do apresentador “é uma verdadeira exposição ampla via internet de ofensas homofóbicas proferidas contra os homossexuais de forma geral, tomando a homossexualidade masculina como algo negativo e ruim que, necessariamente, desqualificaria e depreciaria a programação de uma emissora de televisão”.

Segundo a revista Galileu, o Brasil ainda é o país que mais assassina LGBTs no mundo, e o número apenas cresce. Segundo dados da Rede TransBrasil e do Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016 foram um total de 144 mortes. Entre outubro de 2015 e setembro de 2016, o número foi de 123, posicionando o nosso país em primeiro lugar na escala, logo em seguido se encontra o México. No primeiro quadrimestre de 2017, os dados subiram em 18% em relação ao registrado durante o mesmo período no ano de 2016.