#PFBReview – Nikki mostra por quê devemos dar uma chance a ela em "Eu Faço Assim"

O ano começou prometendo, e não foi só lá fora.

Depois de se despedir do nick Nicky Valentine e renascer nos palcos do The Voice Brasil ano passado como Nikki, nossa eterna Papa’s Princess cansou de esperar o “barro” acontecer e está apostando todas as fichas em algo mais certeiro para fazer seu debute rolar definitivamente em 2016. Depois de dois álbuns com baixo desempenho comercial, mesmo com o selo da OH Produções e single na trilha de Malhação, não era para menos.

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Nikki foi uma das poucas representantes da música pop no programa, e tendo integrado o time da carnavalesca Claudia Leitte, que por si só parece bem perdida com relação à sua “carreira internacional” na Roc Nation, não teve todo o potencial explorado para que o público se sentisse impelido a levá-la para a final. Dentre as derrapadas, estava inclusive um cover destoante de Hello, último sucesso da britânica Adele, que foi bastante criticado na internet e com razão: baladas powerhouse parecem não ser o forte de Nikki, e nosso conselho para ela é se manter bem longe das notas Bb4 por enquanto.

Mas foi só dispensar todo o invejável cabelão rosa, o outfit “mais do mesmo” e cair de volta nas pistas de dança, de onde nunca deveria ter saído, que Aimê, como nasceu, encontrou de vez a própria identidade. Eu Faço Assim é o resultado de um ano de experimentalismos que tivemos o prazer – e também desprazer – de acompanhar, e a posição mais confortável em que encontramos a princesinha do pop brasileira até então.

Composta pela própria e divergindo bastante do tipo de música comercial de Anitta e Ludmilla, as polarizadoras representantes da música pop no Brasil atualmente, Nikki acertou onde Lexa anda errando feio: ela não está tentando reproduzir versões deveras minimalistas de sucessos das duas “funkeiras” já citadas, e sim lutando para encontrar seu nicho no ramo eletrônico. Que, vocês bem sabem, tem feito um bem danado à já veterana Wanessa e ao Leandro Buenno (outro ex-aluno do The Voice).

É aquela sonoridade cadenciada que funciona nas rádios, mas que nunca foi bem aceita por aqui quando os vocais vinham de um artista local. Felizmente, o tal “preconceito” contra as famosas músicas de boate gay vem sendo quebrado aos poucos, tanto é que Bang da Anitta já aposta em saxofones e uma estrutura semelhante aos grandes hits americanos lançados nos últimos anos, e é aí que Eu Faço Assim ganha e sua versão internacional, Give Me The Beat, inevitavelmente perde.

O divertido é encontrarmos este batidão numa língua atípica, como o português, para que tenhamos certeza que a revolução da música pop nacional está mesmo acontecendo e rolando a todo vapor. Ouvir o mesmo refrão americanizado em outra música “brasileira”, mas cantada em inglês, não traz um diferencial tão grande à nossa cena.

Eu Faço Assim tem o apelo radiofônico e a confiança a seu favor, e pelo visto o sucesso também: logo quando foi lançada disparou para o Top 20 do iTunes nacional, e com um clipe prestes a estrear, Nikki só precisará contar com o fator viral para dar de vez a volta por cima, tanto naqueles que duvidam de sua capacidade quanto no próprio The Voice.

Com a bênção de Kelly Key, teremos ainda muitas boas surpresas nesta fase.

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