#PFBReview (Especial) – "Madonna". O debut.

Em comemoração ao lançamento de Rebel Heart (já resenhado aqui) e ao retorno de Madonna aos palcos este ano, o Portal Famosos BR trará para você neste primeiro semestre de 2015 resenhas de todos os álbuns de estúdio já lançados pela Soberana do Pop. Sendo clássicos que marcaram o fim do século XX e também a última década, essas bíblias musicais não poderiam ganhar tratamento mais especial. Para a coisa ficar organizada iremos seguir a cronologia, então não adianta pedir que álbum “x” ou “y” seja adiantado. A jornada será longa, temos muito a aprender sobre uma das mais rentáveis carreiras da história da música, e tudo acontecerá em seu devido tempo. Preparados? Hoje a máquina do tempo nos levará 31 anos no passado, exatamente para onde tudo começou…

O ano é 1983 e o cenário musical de Nova York está em chamas.

Uma jovem Madonna de 24 anos tenta a todo custo estabelecer uma carreira artística em meio a uma explosão de novos talentos. Ela, que havia participado de bandas de rock pesado e perseguira a fama numa série de outros gêneros, estava a ponto de desistir e levar em conta os conselhos do pai quando enfim conseguiu que o famoso DJ Mark Kamins tocasse Everybody, um dos materiais brutos que carregava em fita (os tempos eram outros, gente, rs) enquanto ainda frequentava a boate noturna Danceteria (que tinha na lista de convidados nomes como Cindy Lauper e LL Cool J). Como era de se esperar, a resposta do público presente foi mais que positiva, e Kamins logo viu todo o potencial da mulher à sua frente. Depois de vários “nãos”, ele conseguiu que a Sire Records contratasse a protegida, e que Everybody fosse lançada como um single oficial. Apesar de não ter tido nenhum sucesso substancial em charts, a popularidade da canção em clubes noturnos levou a gravadora a encomendar um segundo single e em seguida um álbum completo, e o resto… Bom, aí já é História.

Lançado quase que anonimamente em 12 de julho de 1983, o primeiro LP de Madonna teve inicialmente uma recepção nada calorosa, tanto comercial quanto crítica, estreando no 190º lugar da parada de álbuns estadunidense e levando alguns críticos a descreverem a voz da intérprete como “Minnie Mouse em gás hélio”. Levou um tempo, mas com a popularização do nome e seu já crescente apelo sexual, Madonna viu o disco entre os dez mais vendidos após mais de um ano do seu lançamento. E, durante este período, emplacou seus primeiros hits (de muitos outros) tanto na Billboard quanto no resto do mundo.

Apesar de ser só o quarto single de cinco, Lucky Star é a canção que abre o hoje icônico registro. Com passo moderado, sintetizadores modestos, palmas e um pesado teclado eletrônico ditando a batida, a canção, que se tornou uma das marcas registradas da artista e foi inclusa em algumas de suas turnês, é embalada pelo hook starlight, starlight” e por letras que, mesmo repetitivas e ainda muito distantes da complexidade lírica dos álbuns seguintes, entregam um número dance genuíno dos anos oitenta. Lucky Star pode não ser um dos maiores hits globais de Madonna, mas foi seu primeiro single a atingir o top 5 da Billboard. Borderline é amor puro desde o primeiro play. Segunda faixa e um dos singles do LP, a baladinha mostra Madonna sofrendo por um amor não correspondido. É talvez o momento mais refinado em vocais do álbum e o mais intimista, apesar dos sintetizadores nunca abandonarem a produção e a letra chiclete ainda ser uma característica marcante. Borderline é uma daquelas músicas que você simplesmente não consegue tirar da cabeça, não importa o quanto tente. Minha favorita do Madonna, e uma das minhas favoritas da Madonna também, rs.

“Não consegue ver que está me deixando louca? Você continua pressionando meu amor além dos limites.”

Burning Up é a canção mais resoluta do LP e também seu segundo single. Diferentemente do primeiro, ela age entre uma incessante percussão, acentuadas guitarras eletrônicas e os mais modernos sintetizadores para a época, e mostra uma desinibida Madonna deixando claro através de gemidos que está disposta a fazer de tudo para agradar o amante. Ao longo dos anos Burning Up foi interpretada por uma série de artistas como Jonathan Groff (seriado Glee) e Britney Spears (durante sua turnê Femme Fatale), mas está longe de ser uma das minhas favoritas, ou um dos trabalhos mais marcantes da até então diva em ascensão. I Know It é uma composição agridoce onde Madonna dá seus primeiros passos na direção do feminismo ao se recusar a chorar por um relacionamento que acabou. Com indiscutível gingado, saxofone e leves toques de piano, a faixa é uma das mais diversificadas deste primeiro álbum centrado quase que unicamente em músicas dance. Holiday foi o primeiro single de Madonna a sequer entrar na Billboard (tendo atingido a 16ª posição). Incluindo instrumentais de guitarra, baterias eletrônicas e palmas rítmicas proporcionadas pelo DMX, o infeccioso hino de celebração se tornou um dos hits mais populares da cantora mundialmente e uma de suas marcas registradas. Holiday é a prova viva que uma música nem sempre precisa de letras tão bem elaboradas para ser “boa” ou cativar o ouvinte.

“Todo mundo espalhe a notícia: nós vamos ter uma celebração!”

Em Think of Me Madonna exige que o amado comece a prestar atenção nela, caso contrário irá abandoná-lo. Com batidas eletrônicas e um saxofone tímido perto do fim, a canção sobre um amante egoísta não é uma das mais memoráveis, mas como I Know It soa única em meio à sonoridade universal do disco. Physical Attraction volta a mostrar o lado mais sensual de Madonna, que parece quase que quimicamente atraída a um garoto que acabou de conhecer, e não hesita em expor seus sentimentos ao propor uma escapada noturna. Como já é de praxe, a produção tem sintetizadores e guitarra a oferecer, com o diferencial desta vez de instrumentos metálicos. Physical Attraction é uma das faixas mais celebradas do álbum, tanto que já foi inclusa no álbum de remixes You Can Dance e em algumas apresentações ao vivo.

“Talvez sejamos feitos para ficar juntos, mesmo que nunca tenhamos nos conhecido antes.”

Everybody é, ironicamente, a oitava e última canção do registro e o single que justamente começou tudo. Com o delicioso artificialismo, as já esperadas letras repetitivas e nenhum grande esforço fora da área instrumental, que é também repleta de synths, a faixa é uma irmã próxima de Holiday e outro convite a cair na dança. Atualmente serve unicamente como um túnel do tempo para um nítido ano de 1983, repleto de visuais adornados por couro, correntes e botas e penteados de cabelo ousados, mas a importância de Everybody para as noites nova-iorquinas daquela época foi (e ainda é) inquestionável.

Em 2015, mais de 30 anos após seu lançamento e “modestas” 10 milhões de cópias vendidas depois, Madonna soa como se não tivesse tanto a oferecer assim. Talvez alguns críticos da época tenham pensado exatamente o mesmo. Salvo três faixas ou quatro, é visível a despreocupação em apresentar um trabalho digno de aclamação. Aquilo que marcou o início da carreira de uma das maiores estrelas femininas de todos os tempos é nada mais que uma chamada para a dança que, hoje, obviamente, soa amadora, centrada em fórmulas, mas que para a época estabeleceu novas e definitivas regras para a cultura pop em geral, e cimentou o caminho por onde Madonna iria caminhar com álbuns maiores, como Like a Virgin ou Like a Prayer. Canções como Holiday e Everybody se mostram cada vez mais irresistíveis com o passar do tempo, e se o “Primeiro Álbum”, como às vezes é chamado, não é um dos mais ambiciosos e grandiosos trabalhos da artista, ele definitivamente prova seu valor como um guia imperfeitamente perfeito para DJs contemporâneos. Madonna também confirmou que sua idealizadora ainda tinha uma história a contar, e viverá para sempre na memória dos críticos e fãs como uma das mais estimulantes e marcantes estreias dos brilhantes anos oitenta.

Valem o play: Borderline, I Know It, Lucky Star, Everybody

Passo: Burning Up

 PFBREVIEW

Próximo: Like a Virgin (1984)

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