A estrela pop Olivia Rodrigo se manifestou de forma veemente contra o uso não autorizado de sua música pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) em um vídeo com forte teor político. A faixa em questão, “All-American Bitch”, presente em seu aclamado álbum GUTS (2023), foi utilizada pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), agência subordinada ao DHS, em uma campanha que a cantora descreveu como “propaganda racista e odiosa”. A manifestação pública e a exigência de remoção imediata geraram um rápido debate nas redes sociais sobre a apropriação indevida de obras de arte por órgãos governamentais.
O vídeo, que circulou nas plataformas digitais em uma publicação conjunta entre as contas do DHS e da Casa Branca, exibia agentes do ICE em operações, com foco na detenção de indivíduos de minorias não-brancas. A mensagem que acompanhava a postagem era alarmante e coercitiva, incentivando imigrantes indocumentados à autodeportação por meio de um aplicativo governamental, e alertando que, caso contrário, “enfrentarão as consequências”. A artista reagiu diretamente nos comentários da publicação, afirmando categoricamente: “Nunca usem minhas músicas para promover sua propaganda racista e odiosa.”
A ironia do uso da canção se acentua ao analisar o seu contexto original. “All-American Bitch” é, liricamente, uma sátira contundente aos padrões duplos e às expectativas inatingíveis impostas às mulheres na sociedade americana. Ao ser inserida em um contexto de repressão e incentivo à deportação, a música teve sua mensagem subvertida de maneira que a artista considerou inaceitável. Além da crítica ao órgão federal, Rodrigo fez questão de se solidarizar publicamente, reforçando seu apoio à “bela e diversa comunidade de Los Angeles e a todos os imigrantes” espalhados pelo país.
Diante da repercussão negativa e do posicionamento firme de uma das maiores artistas da atualidade, o Departamento de Segurança Interna optou por remover o vídeo das redes sociais em poucas horas.