Ludmilla: o que representam as lágrimas da mulher negra que ganhou o Prêmio Multishow?

Na última noite aconteceu mais uma grande edição do Prêmio Multishow, que contou com participações de Anitta e Paulo Gustavo como apresentadores, mas também tivemos Luisa Sonza, Lexa, Marilia Mendonça, Ivete Sangalo, IZA, Kevinho, Baco Exu do Blues e também, Ludmilla, um dos maiores nomes da noite de premiação.

Com uma performance contendo mais de seis minutos e mesclando seus maiores hits, Ludmilla embalou a plateia do Prêmio Multishow e telespectadores do evento, dando um espetáculo em vocais e coreografias, sem contar com a homenagem feita para MC Catra em uma de suas vestimentas.

Ludmilla foi premiada por duas vezes consecutivas com os prêmios de “Musica Chiclete” com Onda Diferente, faixa em dueto com Anitta, Snoop Dogg e Papatinho e também uma das maiores honrarias da cerimônia, o premio de Cantora do ano, sendo a primeira intérprete negra a receber o destaque. Ao receber a estatueta, Ludmilla não segurou o choro e deu um baita um discurso que merece ser visto e revisto por varias e varias vezes. Mas o que significaram as lágrimas da intérprete de “Flash”?

Ludmilla, mulher negra, LGBTQ, nascida e criada nas periferias de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, começando sua carreira como MC Beyoncé, inspirado-se em sua artista favorita, Beyoncé, após seus sucessos notáveis, ganha um contrato com a Warner Music Brasil, seguindo sua trilha até a artista que conhecemos hoje.

Por ser do Funk e por não ter migrado para outros gêneros de forma definitiva, algumas pessoas sempre fadaram a carreira de Ludmilla somente ao gênero criado nas periferias cariocas, julgando a cantora de não ser capaz de alçar maiores voos, chegando até mesmo a debochar do inglês da artista, instrumento quase que necessário para se atingir uma carreira internacional. Mas será que precisa mesmo?

Ludmilla vem se mostrando ser e sem margem para questionamentos, uma das maiores e mais promissoras artistas do Brasil, seja ao lado de Anitta e levando o funk para o mundo, seja na sua auto-afirmação de que mulheres também podem cantar músicas mais quentes, putaria de verdade, afinal mulher também sente prazer em ser a dominadora! Seja cantando e dançando ao vivo, fazendo quadradinho e até com seus virais que fazem o Brasil inteiro dançar. As lágrimas que majestosamente Ludmilla deixou o Brasil ver, foi o grito de uma mulher negra que se vê criminalizada todos os dias em suas semelhantes, mas que é capaz de estar no local de maior destaque da música brasileira e dizer que todas podem. “Lutem como uma menina”, foi uma resposta em BOM E ALTO tom para aqueles que tinham alguma dúvida acerca de seu talento, carisma e versatilidade.

As lágrimas de Ludmilla simbolizam um grito de vitória, um grito que diz, “favela venceu!” e que ainda tem muito mais para almejar, uma periferia que ainda precisa revelar muitas Ludmillas, muitas Rebeccas, muitas Carois. A artista carrega o título de ser a primeira mulher negra a receber o prêmio de destaque do ano na premiação com maestria e se você recusa o convite para assistir de camarote esse longa-metragem chamado Ludmilla, lamentamos informar que o problema é só seu, como está todinho em você.