Em entrevista para jornal O Globo, Ivete Sangalo reflete sobre feminismo e política

Enquanto aguarda a chegada de filhas gêmeas, Ivete Sangalo concedeu uma profunda entrevista para  jornal O Globo, abordando diversos assuntos, entre carreira e vida pessoal.

Será a primeira vez em 24 anos de carreira que a cantora vai passar longe dos trios carnavalesco. O motivo? Simples. A reta final da gravidez das gêmeas, que devem nascer logo depois do carnaval.

O ócio da baiana será curtido na casa da Praia do Forte, ao lado do marido, Daniel Cady, e do filho, Marcelo. “A médica não quer esperar que se completem as 40 semanas. Elas já estão com um peso maior do que o período rege”, conta Ivete.

Separamos para vocês alguns trechos da entrevista de Ivete para o jornal. Confira:

E: “Colocar duas meninas num mundo em que a luta pelos direitos das mulheres voltou à pauta do dia é bom ou dá medo?”

Eu acho que, ao contrário, a gente precisa cuidar é dos filhos homens. Porque a mulher sabe do seu poder; ela sabe que ela pode gerar, que ela é determinada, organizada, multifocada. Se estiver num ambiente saudável, vai desenvolver essas aptidões que são só dela. A mulher não quer ser igual ao homem; ela não quer é ser recriminada por ser mulher, não ter os mesmos direitos só pelo simples fato de ser mulher. O que maltrata a mulher é precisar explicar o seu poder. É tão desgastante e tão broxante, que ela perde até a admiração por essa sociedade. Nesse sentido, minha preocupação com meu filho é maior. Que homens nós estamos educando para mudar essa ordem machista?

E: “Pela pouca quantidade de haters, você pode se gabar de não sofrer exatamente nas redes sociais. É um caso raro hoje, não?”

O mundo está muito carente. As redes sociais se transformaram em salas de terapia sem o terapeuta para moderar os caminhos. Eu vejo as polêmicas surgirem e identifico vários tipos de público: o que entra para fomentar a polêmica, o que entra sem entender o que está sendo debatido, o que dá sua opinião com base e aquele que quer ser visto e escutado a qualquer preço, coisa que ele não consegue em lugar nenhum na vida real. Esse povo todo numa sala vira uma bomba, uma algazarra. Uma pessoa que tem compreensão sobre um assunto discute com uma que passou ali só 15 minutos para chatear. Vira uma guerra, até que a próxima polêmica chegue.

E: “Hoje as gravadoras estão muito focadas nas visualizações de vídeos. Isso empobreceu a MPB?”

Durante toda a minha vida, eu ouvi essa bobagem de crise na MPB. A gente não pode deixar de enxergar os movimentos populares. Não é imposição, é uma escolha; você ouve se quiser. Eu adoro que as pessoas visualizem meus vídeos, mas dispenso esse recurso de colocar gente para colocar no repeat só para fazer número. O artista precisa saber o que quer da sua arte. Eu não posso sofrer se não for ouvida por 1 milhão de pessoas, e não posso me achar foda porque sou ouvida por 1 milhão de pessoas.”