Cinco provas de que Lil' Kim abriu as portas para as rappers femininas com seu álbum de estreia, o "Hard Core"

Com o passar dos anos, a mídia já elegeu várias “Queens of Rap” como Roxanne Shanté, Missy Elliott, Nicki Minaj, Lady Leshurr e mais recentemente, Cardi B. Não que essas rappers não mereçam o devido reconhecimento em abundância, mas em 12 de Novembro de 1996, houve um divisor de águas na industria do Hip-Hop. Essa foi a data em que o álbum de estreia “Hard Core” de Lil’ Kim foi lançado, e não há quem diga que esse álbum não foi o responsável por criar o conceito “Fêmea Fatal” no Rap, que introduziu o movimento “Neo-Gangster”. A contribuição de Kim deixou uma impressão fantástica e duradoura no estilo musical, como um todo, sendo uma das que ainda continuam na ativa até os dias de Hoje.

Mesmo sendo ironicamente odiada por alguns fãs da música atual por conta de sua personalidade repleta de indiretas para aqueles que não se deixam ver a verdadeira realidade da situação, seria estupidez deixar esses fatos da nossa pioneira Queen Bee de lado e não relembrar o bem que a bíblia “Hard Core” fez não só para a indústria do Rap, mas também para o Hip-Hop em geral, que acabou lhe dando um caminho infinito em seu reinado, lhe petrificando no trono, onde isso com certeza é algo que vai além de vendas, visualizações, seguidores, fortunas ou prêmios. Confira nossa lista:

1 – A autonomia feminina

Mesmo sendo lançada graças ao seu mentor e ex-namorado The Notorious B.I.G., onde o rapper pertencia a gravadora Bad Boy Records fundada por Puffy Daddy, Lil’ Kim provavelmente também deveria estar na lista de artistas do rótulo, mas Puff se recusou a assinar um contrato com Lil’ Kim em sua gravadora, pois segundo ele, uma rapper feminina não era capaz de fazer álbuns platinados, então, para lançar seu álbum de estreia, Kim assinou com a Big Beat Records, onde tempos depois, com suas próprias rimas em “Hard Core”, ganhou 2X o disco de platina, calando Puff e mostrando que uma rapper feminina tem potencial e ir além.

Lil’ Kim também foi a primeira mulher a ter coragem de enfrentar um homem no Rap, que na época, era o gênero dominante. É impossível esquecer a famosa Diss-Track “Big Momma Thang” para o lendário rapper 2Pac, em resposta para a música “Hit Em Up” do mesmo, porém, como cidadã de bem, em repeito a morte de Pac, Kim gravou outra versão da música para por em seu álbum. Uma grande e suspeitosa curiosidade, é que em uma entrevista, a rapper The Lady of Rage, revelou que na época, 2Pac pediu para que ela fizesse uma Diss para Kim, mas elas se negou.

2 – O Rap teve a sensualidade que merecia

A ideia de rappers femininas mostrarem sexualidade não é nada novo no Hip-Hop moderno. De Nicki Minaj fazendo twerk com um biquíni fio-dental em “Anaconda”, à Azealia Banks posando para a Play Boy, mas o que ninguém te conta é que antes de Lil’ Kim entrar no ramo do Rap, para as mulheres obterem respeito, eram obrigadas a se vestirem como homens, serem masculinas e brutas, e quase não tinham liberdade de expressão. Por exemplo, falar de sexo e poder feminino era um verdadeiro tabu, mas depois a estreia de “Hard Core”, isso foi mudado, Kim trouxe um novo conceito para as mulheres no Rap, e agora as mulheres tem o predomínio e a liberdade de rimarem sobre sua buceta, mas isso só foi conquistado graças ao afronto da pequena rapper de 1,50m, Little Kim, contra a indústria dominada por homens.

“EU SOU A PRIMEIRA DAMA… POR CAUSA DE MIM VOCÊS RIMAM USANDO SALTO ALTO”  – “Hold It Now”, 2003

3 – União verdadeira entre as mulheres

Como esquecer da maior parceria entre rappers femininas “Not Tonight (Ladies Night Remix)” entre Kim, Angie Martinez, Lisa “Left Eye” Lopes, Missy Elliott e Da Brat presente na era “Hard Core“?

Muitos podem definir Lil’ Kim como “briguenta”, mas a realidade é que Kim leva um simples palavra muito a sério: “RESPEITO”. Um fato é, todas as brigas de Kim foram causadas por falta de respeito no passado, mas felizmente, quase todas as suas intrigas ficaram para trás e hoje as pazes estão feitas.

Lil’ Kim tem um amor incondicional pelas rappers femininas. Para demonstrar afeto e união, Kim chama para o palco MC’S para performarem junto a ela, seja a ocasião que for: abraça, beija, e se sobrar tempo, até homenageia. E isso é desde quando cantou ao lado de Foxy Brown pela primeira vez até os dias de hoje, ao lado de Cardi B.

4 – Amor e apoio a comunidade LGBT+

Desde sua estreia em 1996, a rapper sempre fez referencia ao público gay em suas letras, como por exemplo em “Dreams” ao citar Prince, ou em “Big Momma Thang”, que até mesmo um homossexual, na época não-assumido, deu uma entrevista para a Rolling Stones e citou que Kim foi a mulher quem deu forças para assumir sua sexualidade, principalmente por conta dessa faixa.

Ela também foi a primeira pessoa heterossexual a apoiar a comunidade no movimento do Hip-Hop, além de já ter participado e uma campanha em apoio á prevenção de AIDS/HIV com intuito de arrecadar US$4 milhões para os estudos contra a doença junto com Mary J. Blige.

5 -Inseriu a moda no Hip-Hop

Seu estilo provocante de se vestir começou a ser muito cativante desde que começou a fazer shows, se tornando uma verdadeira Sex Symbol. Famosa por possuir o look mais icônico por uma rapper com a veste roxa de 1999 no “Video Music Awards”, Lil’ Kim já foi fotografada coma a renomada Donatella Versace, foi amiga do finado Alexander McQueen e uma grande  parceira de longa data de Marc Jobs. A Fashion Icon é lembrada até hoje por ser uma grande fonte de inspiração, que vai de Rihanna à Beyoncé.

 

CONCLUSÃO

Esses são só alguns dos diversos motivos pelos quais a Rainha do Rap; Lil’ Kim é uma tremenda figura respeitosa no mundo do Hip-Hop e que depois do seu primeiro LP, que os homens começam a ver talento e qualidade nas MC’s femininas. Hoje temos Cardi B, Nicki Minaj, Iggy Azalea e muitas outras crescendo casa vez mais, e só enche a gente, admiradores, de muito orgulho e felicidade em saber que o Rap feminino é tão importante quanto o masculino. Feliz aniversário, “HARD CORE”!

Resultado de imagem para lil kim hard core