CACTOS: a “facção” de fãs de Juliette que usam seu engajamento para apoiar projetos sociais ao redor do Brasil

CACTOS: a “facção” de fãs de Juliette que usam seu engajamento para apoiar projetos sociais ao redor do Brasil

É inegável que a imagem de Juliette é uma das mais caras da história do Brasil, nunca se viu antes um nome com tanto poder de mexer com as redes sociais, mas como já diria Gloria Groove, “sei que vocês gostam de ouvir os aplausos mas gostam muito mais de me ver sangrando”.

Diariamente, diversos perfis de fofoca e até mesmo internautas, ficam buscando qualquer informação que seja sobre a ex-participante do BBB21 para disseminar nas redes sociais, mas pra quem não é seguidor da rotina de Juliette, os conteúdos que tem maiores chances de polemizar, são um prato cheio e como consequência, acaba gerando uma onda de críticas e ódio encima da moça. Afinal, a sede de engajamento a todo custo parece ser mais proveitosa e de quebra, parece ser a chave da resolução de todos os problemas. Likes, reposts, stories, números, números, números.

Mesmo quase completando um ano do fim do BBB 21, Juliette ainda recebe ódio gratuito nas redes sociais e a ainda sim, doa seu tempo para falar sobre algo que realmente importa e que estamos cada vez mais em falta, as boas ações sociais. Taxados pejorativamente de “milícia digital” e “facção criminosa” por internautas, os cactos, como são carinhosamente chamados pela moça, conseguiram captar a principal mensagem e postura que a advogada e maquiadora sempre manteve dentro do confinamento. Ajudar e apoiar quem seja, independente do que ela chamava de “efeito manada”.

Conversamos com a Vitória, publicitária de 26 anos, com a Maria Luiza, estudante de 17 anos e também com a Thaís Lima, 22 anos e estudante de biologia, três das centenas de seguidores que estão diariamente empenhadas em ações que visão ajudar o próximo. As amigas nos contaram sobre os diversos projetos que tocam se ajudam entre si.

Máscaras e Ação do Agasalho

O projeto surgiu pouco depois do fim do BBB e começou com Maria, que decidiu ajudar no que a sociedade mais precisava no momento, que eram máscaras de proteção, já que na época, a COVID-19 havia voltado a bater grandes picos de infecção. O projeto contou com cinco grupos com mais de 50 pessoas em cada um deles.

A ação foi noticiada até mesmo pelo G1, portal de notícia da Globo TV:

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Reprodução: G1

O fã clube conseguiu arrecadar mais de 7 mil reais e com esse valor, foram compradas 4,5 mil máscaras PFF2, que foram distribuídas para o Acre e também outros cinco estados. A ação foi reconhecida por Juliette, que publicou o feito em suas redes sociais.

Na época, o perfil @qualmascara realizou um spaces em sua conta do Twitter com os fãs de Juliette, para sanar duvidas dos internautas de como utilizar corretamente a máscara e os procedimentos para cuidar do objeto, afim de evitar novas infecções.

CACTOS: a “facção” de fãs de Juliette que usam seu engajamento para apoiar projetos sociais ao redor do Brasil

Poucas semanas depois, a dupla Vitória e Maria Luiza entraram de cabeça no projeto social do agasalho, que visou doar 100 kits para moradores em situação de rua no Rio de Janeiro e em São Paulo durante o inverno, que infelizmente acabou vitimando dezenas de pessoas devido ao frio extremo. Outras 1000 máscaras também foram doadas.

CACTOS: a “facção” de fãs de Juliette que usam seu engajamento para apoiar projetos sociais ao redor do Brasil
Reprodução: O Globo

A ação que distribuiu gratuitamente casacos, luvas, toucas, meias, calças e máscaras de proteção para moradores de rua e ganhou apoio também do Padre Júlio Lancelotti, pároco da paróquia de São Miguel Arcanjo no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo.

Cactos pela Vida

Após as primeiras campanhas, as amigas decidiram oficializar as ações com a criação do “Cactos pela Vida“, que se tornou uma organização sem fins lucrativos para incentivar as pessoas a fazerem o bem.

Vitória revelou se sentir inspirada por Juliette a fazer o bem ao próximo, que sempre foi um dos principais pontos da cantora no confinamento.

“A conscientização veio com a importância que a Juli (Juliette) aplicou a isso. Digo por mim, ela despertou em mim uma vontade de ajudar o próximo”, revelou a publicitária.

Campanha de Inscrição no ENEM 2022

As amigas criaram também uma ação social para ajudar pessoas de baixa renda a se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que mesmo não tendo renda sobrando para pagar a inscrição, não conseguiram a isenção oferecida pelo governo brasileiro.

Segundo Vitória, com apenas 5 horas de campanha, os cactos doaram mais de 2 mil reais, que foi todo revertido para pagar a inscrição de quem já havia desistido do sonho de lutar por uma bolsa na faculdade. As amigas confirmaram que foram mais de 80 inscrições efetivadas graças a união dos fãs.

Neste ano, o ENEM cobrou uma taxa de 85 reais para efetivar a inscrição dos participantes

Projeto Lunar

Idealizado pela Jessyka Moreira (21), a ação recebeu ajuda direta do departamento criativo do projeto, que apoiou a cantora e também professora de canto a espalhar pelo Brasil a importância da doação de sangue. O Projeto Lunar das Sariettes convidam não só internautas que seguem Sarah Andrade e Juliette Freire, mas sim todos a doarem sangue em suas respectivas cidades.

O Projeto Lunar foi totalmente inspirado no avô de Jessyka que faleceu recentemente e também em uma experiência que a professora vivenciou ao ver que uma jovem fez o aniversário dela em um hemocentro, reunindo a os membros da família e os amigos para doarem sangue.

É do conhecimento de todos que devido a COVID-19, os bancos de sangue entraram em estado crítico na falta de bolsas sanguíneas de todos os tipos, por isso a importância e a necessidade urgente das doações.

Afim de incentivar os fãs a participarem, o perfil do Projeto Lunar nas redes sociais reposta todos os fãs que exibem seus comprovantes de doação.

Você pode seguir o projeto nas redes sociais clicando aqui.

Campanha contra Pobreza Menstrual

Se teve algo que chocou diversos internautas e também artistas do Brasil inteiro, foi o veto do presidente Jair Bolsonaro para o pacote que garante o reparo da saúde menstrual de pessoas que menstruam em situação de vulnerabilidade social e econômica. Os absorventes eram disponibilizados nas escolas e postos de saúde e permitiam que estas pessoas pudessem utilizar os itens de forma gratuita.

Mais uma vez, as fãs de Juliette se uniram com os outros milhares de seguidores para criarem a própria campanha contra a pobreza menstrual, sendo endossada pelas ex-bbbs Marcela McGowan, Bianca Andrade, Gizelly Bicalho e Sarah Andrade. A funkeira Valesca Popozuda, a diretora do documentário de Juliette, Patrícia Cupello, Bella Borges e diversas outras personalidades também entraram na ação.

Essas são apenas algumas das ações, é importante frisar que os fãs de Juliette já arrecadaram fundos para uma pessoa LGBTQIA+ que estava em condição de vulnerabilidade e precisava ser transferida de forma urgente para outro estado, tendo a ação endossada pela Casa Nem, Fora da Caixa e também pela Rebraca.

Outra ação que os fãs de Juliette ajudaram, foi a arrecadação para fazer o Dia das Crianças na fundação Lar Maria e Sininha, ONG que oferece para 120 crianças e jovens projetos de: cinema digital, capoeira, saraus, diálogos abertos e terapia comunitária.

TRANSPARÊNCIA

As meninas acima de tudo, prezam pela transparência do projeto e estão sempre atualizando os seguidores com os valores depositados. Atualmente a conta para depósitos do projeto conta com cerca de R$ 6.100,00, que será todo revertido para a compra de absorvente para pessoas em situação de extrema pobreza. Vale lembrar também que o projeto ainda precisa de mais doações, pois precisam ajudar o maior número de pessoas possíveis.

Em conversa com as meninas, o trio nos confirmou com exclusividade que estão preparando talvez a maior ação do ano. Como Juliette faz aniversário no dia 3 de dezembro, a campanha vai visar ajudar pessoas a terem alimentos durante o Natal deste ano. Intitulado de “Natal da Juliette”, o projeto vai incentivar fãs do Brasil inteiro a doarem alimentos para que famílias possam se alimentar.

A função desta matéria não é defender os fãs de Juliette de acusações ou abraça-los com unhas e dentes, mas mostrar que o grupo que pejorativamente é chamado de “facção criminosa” por apenas defender uma mulher nordestina de ataques de ódio, de machismo e de xenofobia, são constantemente ignorados quando atuam como uma “facção do bem”.

Você já se perguntou quantas pessoas você ajudou ontem, quantas pretende ajudar hoje e quantas vai ajudar amanhã? Curiosamente, vamos terminar essa matéria da mesma forma que começamos.

Como já diria Gloria Groove, “sei que vocês gostam de ouvir os aplausos mas gostam muito mais de me ver sangrando”.

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